Apresentado na 51.ª Reunião Anual da European Association for the Study of Diabetes (EASD), em Estocolmo, este relatório é da autoria o Dr. Xue Dong e a sua equipa, do Affiliated ZhongDa Hospital of Southeast University, em Nanjing, na China.
A diabetes é um forte fator de risco de síndromes coronárias agudas. Contudo, se a diabetes desenvolve o mesmo efeito de alto risco desta doença cardiovascular nos dois sexos, é uma informação desconhecida. Neste estudo, os autores realizaram um relatório sistemático e meta-análise por forma a estimar o risco relativo de síndromes coronárias agudas associados à diabetes nas mulheres e nos homens.
Foram analisados os estudos publicados entre 1966 e 2014, numa pesquisa realizada nas bases de dados da PubMed, Embase, e Cochrane Library. Da investigação, os autores concluem: “As mulheres com diabetes apresentam um claro risco elevado de síndromes coronárias agudas, de 40% superior aos homens com diabetes”.
Uma outra investigação, apresentada em Estocolomo, demonstra que as mulheres com diabetes apresentam maior risco de sofrer de enfarte agudo do miocárdio com o avanço da idade (34%) comparativamente os doentes do sexo masculino. Um novo estudo As pesquisas anteriores revelavam que as mulheres diabéticas apresentavam maior probabilidade de ocorrência de problemas cardiovasculares do que os homens. Todavia, o momento de início e o período de duração não são claros.
Assim, o Dr. Giuseppe Seghieri e a sua equipa, do Regional Health Agency, em Florença, Itália, desenvolveram um estudo de follow-up em retrospetivo, ao longo de oito anos (entre 2005 e 2012) num grupo de dentes diabéticos residentes na Toscana, uma região central em Itália. Nesta investigação, na qual os sexos foram sempre colocados em comparação, foi avaliado o efeito da idade na diabetes, relacionada com o alto risco de hospitalização por enfarte agudo do miocárdio, enfarte isquémico e insuficiência cardíaca.
A informação foi recolhida dos hospitais da Toscana, entre 2005 e 2012, na qual continha um registo de todos os doentes com diabetes. O efeito da diabetes foi medido separadamente em pessoas do sexo masculino e do sexo feminino, no período de oito anos. No total de 3.192.203 habitantes da Toscana, com mais de 16 anos (47% homens), registaram-se 24.605 hospitalizações devido a enfarte agudo do miocárdio (13.251 nos homens e 8.354 nas mulheres), 26.953 por enfarte isquémico (14.848 nos homens e 12.105 nas mulheres) e, por último, 17.628 casos por insuficiência cardíaca (8.403 nos homens e 9.225 nas mulheres).
Avaliando os dados recolhidos, e ajustando a informação relativa à idade, o risco relacionado com a diabetes era significativamente maior nas mulheres do que nos homens hospitalizados devido a enfarte agudo do miocárdio (2,63 vezes mais risco versus 1,96 vezes para os homens, tendo em conta o risco elevado de 34% nas mulheres).
Contudo, o risco era semelhante para os dois sexos em casos de hospitalização por enfarte isquémico e insuficiência cardíaca. Após a estratificação da população por idade em décadas, as mulheres com diabetes hospitalizadas por enfarte agudo do miocárdio apresentava um risco significativamente maior relativamente aos homens com a mesma patologiia no intervalo de idade dos 45-54 até aos 75-84 anos, com a maior diferença registada na classe etária dos 45-54 (risco acrescido 5,83 vezes nas mulheres versus 2,88 vezes nos homens). Nos doentes hospitalizados por enfarte isquémico e insuficiência cardíaca, as mulheres tinham um risco acrescido mais elevado do que os homens nas idades dos 55-64 até aos 75-64, com a maior diferença para ambos registada nos 55-64 (4,14 versus 3,05 para enfarte isquémico e 6,83 versus 4,11 para insuficiência cardíaca).
Os autores do estudo concluíram: “Neste grupo populacional da Toscana, o risco excessivo de eventos cardiovasculares relacionado com diabetes era significante entre os dois sexos. Relativamente ao enfarte agudo do miocárdio, as mulheres diabéticas estão em desvantagem, comparadas com os homens diabéticos, com uma diminuição do risco registada no período da menopausa (dos 45 anos em diante). No que respeita os casos de enfarte isquémico e insuficiência cardíaca, atrasa no período pós-menopausa (55 anos ou mais). Assim, o tratamento das pessoas com diabetes deve estar focado e orientado tendo em conta a idade e sexo, de forma a prevenir patologias cardiovasculares”.
