Com uma sala lotada, na manhã do dia 15 de setembro, a cerimónia inaugural do EASD 2015 foi um momento de entusiasmo e emoção para a comunidade da Diabetologia europeia. Prestando homenagem a antigos colegas e lançando as pedras do futuro ao encerrar com a 47.ª Claude Bernard Lecture, uma honra atribuída ao trabalho com o título “Understanding phenotypes of prediabetes: essential to influencing progression to type 2 diabetes”, do Prof. Doutor Hans-Ulrich Häring.
Foi com uma mensagem de boas-vindas a Estocolmo, dirigida a todos os congressistas, que o Prof. Bo Ahrén aproveitou a ocasião para dar a conhecer o trabalho desenvolvido pela comunidade de profissionais de saúde envolvidos na problemática da diabetes na Suécia. O especialista sueco destacou a longa tradição do seu país na investigação na área da diabetes, sublinhando que a Suécia foi o primeiro país a ter guidelines nacionais para esta patologia, desde 1982, assim como possui há cerca de 20 anos um Registo Nacional de Diabetes. Esta é a terceira vez que a Suécia é destino de uma reunião magna da EASD, acolhendo este evento previamente em 1995 e 2010.
Finalizando o seu discurso, o presidente do Local Organising Committee expos os números desta edição do Congresso. Dedicada à ciência, a Reunião Anual da EASD de 2015 conta com 48 sessões orais, reunindo 264 apresentações; 123 sessões de poster, com um total de 945 trabalhos; 35 simpósios científicos, com 95 palestras e 5 palestras premiadas, com as seguintes distinções: Claude Bernard; Camillo Golgi; Albert Renold; EASD/Novo Nordisk Foundation; Minkowski.
E, por fim, fez-se homenagem ao autor do cartaz da edição de 2015 da EASD. Trata-se do artistas sueco Bengt Böckman, já falecido, também ele um doente com diabetes. Com o título “Blood em Balance”, a imagem gráfica do Congresso é uma expressão da luta deste artista contra a sua doença, procurando sempre o equilibro necessário – o controlo da glicemia.
Três entidades maiores da Diabetologia, três aniversários e 50 anos da “Diabetologia”
Tomando a palavra, o atual presidente da EASD afirmou que 2015 é um ano de celebrações, recordando que se assinalam três datas importantes de três entidades maiores de Diabetologia: o 75.º aniversário da ADA – American Diabetes Association; o 50.º aniversário da EDEG – European Diabetes Epidemiology Group e o 25.º aniversário do NEURODIAB – Diabetic Neuropathy Study Group. Não ficou esquecido outra importante comemoração, o nascimento em 1965 da revista “Diabetologia”, completando em 2015 os seus 50 anos de existência.
Ainda num “regresso ao passado”, o Prof. Doutor Andrew Boulton lembrou as figuras da História da EASD, como o Prof. Doutor Karl Oberdisse, membro fundador da instituição e as fotografias que ficaram na memória da primeira Assembleia Geral da EASD, à qual assistiram 233 pessoas.
E porque a Medicina é uma ciência em constante evolução, com avanços e recuos, o especialista britânico recordou com humor o que se pensava e prescrevia para a diabetes em 1965, comparando com a prática atual. A evolução dos tratamentos, dos estudos clínicos e de toda uma ciência que permitiu alcançar fármacos que fizeram e fazem a diferença na vida dos doentes com diabetes.
Desta forma, de volta ao presente, o Prof. Doutor Andrew Boulton anunciou a atualização, em 2015, da posição conjunta ADA- EASD sobre o tratamento da hiperglicemia em diabetes tipo 2, uma abordagem centrada no doente.
Quanto ao futuro, o presidente da EASD apontou os caminhos que estão a ser explorados, como a investigação na área da imunoterapia para a diabetes tipo 1; as novas terapêuticas farmacológicas para a diabetes tipo 2. Assim como uma redução gradual em novos casos de nefropatia em diabetes tipo 1, uma descida para continuar. E, pela primeira vez, em 2015, a diabetes não é mais a principal causa de cegueira na população ativa no Reino Unido: rastreio e prevenção são o futuro.
Relembrou ainda a mensagem política da EASD junto dos interlocutores governamentais, o Prof. Doutor Andrew Boulton salientou os custos, tanto económicos como humanos, que a diabetes acarreta, designadamente absorvendo 8 a 15 por cento dos orçamentos de saúde, em alguns países esse número sobe mesmo acima dos 40 por cento. Sem esquecer, as complicações tardias associadas à doença. Essencial é, por isso, o rastreio e a prevenção precoce.
E para estimular o combate à diabetes com as armas da ciência, o especialista frisou o montante já angariado pela EASD, num total perto dos 100 milhões de euros, para apoio e financiamento à investigação na área da diabetes, incentivando todos os interessados a conhecer os programas e bolsas proporcionadas pela entidade, que poderão conhecer através do site www.europeandiabetesfoundation.org.
