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segunda, 14 setembro 2015 09:40

Investigação Científica no campo da Diabetes Mellitus

Dr.ª Margarida Bastos, especialista do Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do CHUC

Na perspetiva profissional da Dr.ª Margarida Bastos, a prevenção primária da diabetes tipo 2 é uma necessidade premente, e como tal um assunto cujos diferentes ângulos espera ver abordados no Congresso da European Association for the Study of Diabetes.

Para a especialista do Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, a dimensão que a patologia tem vindo a alcançar, na população e nos sistemas de saúde, torna imperiosa a implementação de medidas terapêuticas inovadoras na diabetes tipo 2 (DM2) e incentiva ainda a aposta na investigação e procura da cura para a diabetes tipo 1 (DM1).

Em entrevista, a endocrinologista apresenta a sua perspetiva sobre o estado da arte da terapêutica na diabetes.

News Farma (NF) | Desde quando acompanha os congressos European Association for the Study of Diabetes (EASD)?

Dr.ª Margarida Bastos (MB) | A fundação da EASD data de 1965 e desde os anos oitenta sou sócia e tenho acompanhado a maioria dos congressos. É uma importantíssima instituição que tem como objetivo encorajar, apoiar e divulgar a investigação científica no campo da diabetes mellitus.

O Congresso Anual da EASD tornou-se o maior evento científico nesta área da Medicina. Permite a partilha de informação entre os médicos, outros profissionais ligados à saúde e os cientistas dedicados à investigação em diabetes.

NF | Quanto à discussão dos temas relevantes na área da diabetes, quais os principais tópicos que, na sua opinião, espera ver abordados no EASD 2015?

MB | Há muitos e diversos temas, entre os quais destaco os seguintes: medidas de prevenção da diabetes tipo 2, nomeadamente a promoção e incentivo da responsabilidade partilhada entre os indivíduos, profissionais de saúde e autoridades civis no sentido de tentar "parar" a epidemia da diabetes.

Assim como, informação sobre os avanços terapêuticos que possam minorar as comorbilidades associadas nos doentes já portadores de diabetes.

Outro tema de interesse são as dificuldades sociais e dos sistemas de saúde face ao envelhecimento populacional e diabetes.

E por fim, destacam-se ainda, a possível existência de uma vacina para prevenir a diabetes tipo 1; investigação e divulgação do chamado "pâncreas artificial" e as novas metodologias para a monitorização da glicemia.

NF | Do programa científico deste congresso que sessões e palestras pretende assistir?

MB | As dirigidas aos avanços científicos em áreas como a etiopatogenia, prevenção e terapêutica da diabetes, as que versem as complicações crónicas nomeadamente a nefropatia diabética e o pé diabético, uns dos maiores flagelos no nosso País.

NF | Serão discutidas várias classes de tratamento para o controlo glicémico. Relativamente à terapêutica a seguir em segunda linha, e de acordo com a evidência disponível e recomendações internacionais, o que deve ser seguido para garantia da segurança, eficácia e tolerabilidade do tratamento?

MB | O controlo intensivo da glicemia e de outros fatores de risco desde o diagnóstico de diabetes é fundamental no prognóstico da doença. Com o avançar da idade e a associação de outras co morbilidades torna-se mais premente a individualização terapêutica. Um dos riscos terapêuticos a evitar será a hipoglicemia iatrogénica.

NF | Qual a importância da intensificação terapêutica tendo em conta o número de doentes diagnosticados e em tratamento, mas não controlados?

MB | A importância e a individualização do tratamento da diabetes é indiscutível à luz dos conhecimentos atuais. A nível mundial, a otimização dos cuidados de saúde dirigidos aos doentes portadores de diabetes são um desafio para os médicos e para os sistemas de saúde.

NF | De acordo com a sua experiência clínica, que complicações da diabetes em doentes não controlados tem vindo a assistir a uma maior prevalência?

MB | A prevalência de complicações crónicas tem relação direta com o controlo metabólico da doença. Têm sido objetivados por inúmeros trabalhos científicos como os clássicos UKPDS na DM2 e o DCCT-EDIC na DM1. Em Portugal o panorama é semelhante.

NF | Em grupos de doentes, como os idosos ou outros doentes de risco, como posiciona a combinação vildagliptina/metformina em termos de segurança?

MB | No Congresso da EASD, aguardo com muito interesse um simpósio denominado "DPP-4 inhibition: 20 years of research". A classe de fármacos a que pertence a vildagliptina têm-se distinguido pela eficácia no controlo glicémico associada a reduzido risco de hipoglicemia.

A associação de inibidores da DPP-4 à metformina já é clássica e extensiva a toda a classe farmacológica. Além da melhoria da eficácia do controlo metabólico também parece ter influência na diminuição de alguns efeitos adversos possíveis.