"A sintropia entre diabetes e cancro e diabetes e DCV são de interesse grande para o internista, e também os estudos com as intervenções no estilo de vida e intervenções farmacológicas têm a nossa atenção garantida”, sublinha o especialista que marcará presença no congresso em Estocolmo.
News Farma (NF) | Como avalia a sua ligação/envolvimento com a European Association for the Study of Diabetes (EASD)?
Dr. José Almeida Nunes (JAN) | A nossa ligação à EASD é já de longa duração. Diria que já se fidelizou, não só pela identificação conceptual, como também pela metodologia de trabalho.
A qualidade dos diferentes grupos de estudo que identificamos nesta instituição conferem uma ligação e um envolvimento apetecíveis para quem, como nós, tem um interesse importante nesta área.
NF | No debate sobre a diabetes enquanto um flagelo epidemiológico, quais os principais temas que, na sua opinião, espera ver tratados no EASD 2015?
JAN | Quando olhamos para o aumento da população diabética, esperado por exemplo na China e na India nas duas próximas décadas ou quando olhamos o aumento de incidência esperado em África na ordem de 90%, no Médio Oriente na ordem de 80% e no Sudeste Asiático na ordem de 70%.
O envelhecimento das populações não pode, na nossa opinião, justificar por si só este fenómeno.
Na sala Keen Hall, terça dia 16 de Setembro, vai debater-se “Elderly patients with type 2 diabetes: the storm is coming”, mas a tempestade tem de ser encarada com educação alimentar/exercício físico, com políticas de racionalização da indústria alimentar, a escola e os hábitos alimentares, tudo temas de grande impacto na saúde das populações.


NF | Este é um programa extenso e pautado pela atualidade. Quais são as suas áreas de maior interesse, na qualidade de especialista em Medicina Interna?
JAN | A sintropia entre diabetes e cancro e diabetes e DCV são de interesse grande para o internista, e também os estudos com as intervenções no estilo de vida e intervenções farmacológicas têm a nossa atenção garantida.
As insulinas e os ADO menos iatrogénicos de hipoglicemias merecem também o nosso foco.
NF | Em que sessões e palestras estará seguramente presente?
JAN | Em princípio as sessões ligadas à diabetes e inflamação, novidades sobre genética da doença e também DPP4 inibition—20 anos de investigação. Mas, tentaremos participar na maioria das sessões.
NF | Serão discutidas várias classes de tratamento para o controlo glicémico. Que evidências suportam a combinação vildagliptina/metformina? Há novidades nesta área?
JAN | A associação fixa vildagliptina/metformina assenta numa extensa evidência de eficácia e muito boa tolerabilidade por parte do doente, tornando esta uma escolha de primeira linha para o controlo da doença.
NF | Há classes de tratamento que em que está presente o risco de introdução de hipoglicémia. Qual o perfil de segurança desta combinação?
JAN | As sulfonilureias são uma classe que, dentro dos ADO, são sinalizadas como sendo responsáveis por iatrogenia hipoglicemiante.
As insulinas, sendo que as análogos, perfilam-se com melhor incidência no desencadear de hipoglicémias.
Associação vilda/met apresenta um risco hipoglicémico muito baixo, próximo do placebo, e mesmo na associação com insulina não tem demonstrado aumento da sua incidência, antes pelo contrário.
NF | Em grupos de doentes, como os idosos ou outros doentes de risco, como posiciona a combinação vildagliptina/metformina em termos de segurança?
JAN | A vildagliptina tem evidência de muito boa tolerabilidade em doentes com mais de 75 anos, por outro lado nos doentes com maior risco de DCV, a hipoglicémia é o grande problema da iatrogenia quando tratamos a diabetes e aí, mais uma vez, esta associação confere eficácia e segurança.


